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Monday, March 21, 2011

Procrastinando, sempre procrastinando

Há mais ou menos três meses eu voltei pra Belém, minha cidade natal. Explicando melhor, terminei o mestrado em Portugal, não arrumei nenhum emprego decente – tá, não arrumei nenhum emprego que me pagasse – em Portugal e voltei pra Belém. A volta pra casa suscitou muitas coisas, entre as quais a vontade de voltar a escrever aqui. Porém, como quase tudo aquilo referente à minha vida pessoal, procrastinei até hoje, quando encontrei o caderno velho e amassado que carreguei na bolsa o ano passado inteirinho e que continha o post de hoje que eu queria ter postado há três meses e que inauguraria a minha volta ao blog – e à cidade:


(Tudo mentira, na verdade eu sabia muito bem onde estava o caderno, tinha era preguiça de voltar a postar e assumir um compromisso e uma nova aliança com os incontáveis leitores desse blog. Ok, não. Não há incontáveis leitores nesse blog. Enfim.)


O texto:


Pouca roupa, pouca roupa, pouca roupa. Palavra de ordem na volta pra casa. O taxista aumenta o volume do rádio quando vê que eu cantarolo Desculpe o Auê, da Rita Lee. Engata numa conversa sobre como o Brasil tá melhorando e como a polícia invadiu o morro do Alemão e “prendeu tudo quanto foi bandido”, nas palavras dele. No aeroporto de Guarulhos uma Vogue custa quarenta unidades monetárias. Banheiros não muito confiáveis. O vôo atrasadão. Srta Suellem Silvany da Silva chamada 350 vezes pra a última chamada do vôo que tá embarcando no portão 1B. Enquanto isso, na sala de embarque, em frente ao portão 3 a senhora do meu lado, que provavelmente entraria no mesmo vôo pra Belém que eu, tira os sapatos e, exibindo as unhas vermelhas com o esmalte meio carcomido, descansa os pés em cima da gigantesca bagagem de mão. Em casa, chegando em casa.


E isso tudo aconteceu mesmo. Tipo um sinal do acaso de “welcome home bitch”.

Friday, March 27, 2009

A vantagem de só estudar é que não se tem muito horário para o trabalho, o que também é de certa forma uma desvantagem, já que não se tem horário para o trabalho. O que significa que chega o fim de semana e mesmo assim eu não paro de trabalhar porque o prazo pra entrega de TODOS os trabalhos ao mesmo tempo está chegando e eu não tenho tempo suficiente – mesmo sem nenhuma actividade tradicional laboral que envolva um patrão, colegas e horários – pra fazer tudo que eu tenho pra fazer. Isso além, é claro, do facto de ninguém me pagar nada por isso.

Sunday, January 04, 2009

bye 08 hi 09

2008 foi um ano dividido em dois. Morei em duas cidades. Terminei um curso e comecei outro. Ganhei amigos e perdi alguns. Viajei muito e fiquei muito tempo sozinha em casa. Vi o namorado todos os dias, passei 3 meses sem vê-lo, passei a vê-lo uma vez por semana. Arranjei um estágio, mas não um emprego. Comecei o italiano e não terminei. Comecei e não terminei um monte de coisas. Fiz várias faxinas, assisti vários filmes, li alguns livros.

2008 foi um ano esquisito pra caramba, daqueles em que a gente se perde no meio. Daqueles em que no final não dá pra lembrar o que aconteceu em janeiro ou setembro. 2008 também teve algumas novidades. Foi a primeira vez em que eu me preocupei com uma crise financeira mundial; a primeira vez que eu viajei sozinha com a minha grana; a primeira vez que eu aluguei um carro; a primeira vez que eu passeei numa loja de móveis e realmente pensei em casar; a primeira vez que eu tive coragem de cortar quase meio metro de cabelo e que eu comprei uma garrafa de suco de caju em Portugal. Em 2008 eu me desfiz de alguns amigos e ganhei outros.

2009 começou meio esquisitão, com todo jeito de que vai acabar em álcool também. 2008 começou esquisito e terminou assim. Com um pouco de atraso, acabei de fazer minhas resoluções de ano novo, e cheguei á conclusão de que 60% delas se referem á minha vida profissional. O que significa que a única coisa que me falta é mesmo um emprego, e que o ultimo ano não foi tão ruim assim.

Sunday, November 02, 2008

mine does.


Preciso de inspiração. Chega de deadlines perdidos nessa vida minha gente.
Novo vício (pra quê mais um?).

Wednesday, October 22, 2008

Outono, cadê você meu bem?



Esqueceram-se do outono este ano - os velhos loucos lá de cima.
Pularam aqueles dias em que a gente sai de casa com uma porção de roupas e vai tirando ao longo da manhã - e repondo tudo depois das seis da tarde.
Pularam direto pros dias que que a gente se arrepende de ter saído de casa. Ou de não ter saído enrolada num edredon de penas de ganso.
Esqueceram-se completamente do outono.

Thursday, May 10, 2007

Brain Damage

Incrível como a falta de trabalho cerebral para fins produtivos faz uma pessoa passar de inútil a absoluta-e-completamente-inutil.
Nos últimos três meses o normal na minha vida tem sido basicamente dormir às 6h e acordar às 14h pra pegar as aulas da tarde na quase inútil Faculdade de Letras de Coimbra. À noite CSI, House e Prison Break seguidos de alguns ou muito finos e o início da manhã voltando pra casa de alguma saída com os amigos ou simplesmente pondo em dia o papo de uma vida inteira com a Anna, minha companheira de curso, vida e quarto.
Eu não poso me gabar de ter tido no último ano algo que se possa chamar de uma vida muito produtiva (qualquer tipo de rotina que envolva acordar cedo ou dormir menos de 10 horas por dia) mas pelo menos eu antes mantinha uma quantidade mínima de atividades que eu exercia com uma certa frequência e que conferiam à minha inútil vida um certo ar de rotina:

- Assistir a filmes que todo mundo já viu, menos eu, ou filmes que todo mundo já viu e que eu não vi mas acho que vi, ou filmes que ninguém nunca viu e que não valem a pena ser vistos mas eu vejo mesmo assim. Para a minha recente vida de cinéfila (observem, nos meus poucos vinte e um anos incompletos meu senso crítico cinematográfico só veio aprimorar-se nos últimos 2 anos. Antes disso eu engolia desde David Lynch até Legaly Blond 1 e 2) o hábito de alugar pelo menos uns 5 filmes por fim de semana me ajudava a tirar o atraso do que eu não tive dinheiro pra ver no cinema. No entanto, como é óbvio, dormir sempre às 6 da manhã e acordar à 5 da tarde me faz lembrar de ir à locadora quando o rapaz do balcão já está no seu último sono em sua quente caminha. Situação atual: um filme por semana, na SIC (algo de parecido com a Rede Globo).

- Cerca de uma hora diária fuçando blogs, youtube, email e outras porcarias na Internet. Isso pode não parecer muito produtivo, mas olha que é daí que saem meus grandes momentos de inspiração. Quais? Não sei, mas se antes já não saíam muitos, agora menos ainda. Vide a graaande frequência da atualização deste blog. Sem falar nos assuntos absurdamente relevantes que nos ocorrem em mesas de bar.Com menos 60 minutos diários de pesquisa em cultura inútil a minha missão na terra, de entreter as pessoas com besteira, fica altamente prejudicada. Situação atual: só tenho visto videozinhos no youtube, e mesmo assim quando buscados pela já citada Anna.

- Pelo menos uns 30 minutinhos diários para conferir o que anda acontecendo no Brasil. Não tô falando de fofoca no msn, tô falando de notícias mesmo. Considerando que a minha paciência pra ler jornais online nunca foi muito grande, a minha inatividade mental tem contribuído menos ainda pra frequência desse hábito. Eu sempre preferi a versão impressa, que deixa a mão da gente bem sujinha, mas em compensação não tem pop ups do mercado livre pulando na minha cara e nem aqueles banners chechelentos que não deixam eu me concentrar. Mas, já que aqui do outro lado é mais difícil passar a mão na Folha de São Paulo numa banca de revistas, o jeito era me render ao mundo online. Mas, ultimamente nem isso. Situação atual: Eu só soube da morte do Enéas uma semana depois, quando as piadas já não tinham mais graça. Sem falar na tenebrosa da vitória daquela coisa azul, no Parazão.

Aí estão, três sinais de uma boêmia e inútil vida. Ah, mas isso muda um dia, juro que muda… Próximo semestre…

Thursday, April 12, 2007

Devaneios

É tão legal brincar de casinha. Toda vez que eu vou ao supermercado fico doida pra que a casa fique suja pra eu poder limpá-la com meus novos produtos de limpeza ! *
Bem, mas eu descobri um bom aspecto de ter que cuidar sozinha da casa: gasto todos os meus impulsos consumistas no supermercado, e assim sobra mais dinheiro pras farras, pro cinema, enfim…
O lado ruim de morar sozinha, além de jantar sempre em frente à tv e perder a conta de quanto comi ou babar toda a minha blusa, é que eu peguei a terrível mania de falar sozinha. Eu já tenho um lado meio esquizofrênico, um comportamento um tanto quanto expansivo, e agora ainda por cima falo com as paredes! Isso é péssimo. A réplica: ok já que eu moro sozinha isso não é um problema, considerando que ninguém além de EU mesma sabe disso. Hã-Hã. Errado. A tréplica: eu agora dei pra falar sozinha na rua também. Isso mesmo, juro.
Pra me fazer companhia nas tradicionais idas ao supermercado, à estação, ao shoppping, ou a qualquer lugar eu levo meu fiel escudeiro Ipod, e com ele no volume máximo esqueço que tô no meio da rua e de vez em quando solto uns diálogos comigo mesma.
E depois ainda me pergunto: porque é tão difícil fazer amigos numa cidade desconhecida?
Dã. Explicado.

*Isso faz parte de um surto pós-adolescente-pré-independente, decorrente da falta de Cleide. (A Cleide era a empregada lá de casa. )

Tuesday, April 10, 2007

Bem, vamos ver até quando vai durar o meu retorno ao mundo dos blogs.
Duvido um pouco que vingue, mas enfim, é por uma boa causa, afinal de contas, em pouco tempo devo me cansar de conversar com as paredes de casa, que, por sinal, não são muitas.
Tá, só pra atualizar: esta que vos escreve com sotaque de português (claro que não dá pra perceber ainda, mas estou praticando) há pouco deixou as terras tupiniquins para aventurar-se nos estudos da comunicação social nas terras de além mar. Agora além de vocês meus caros, até os portugueses vão ter que me aguentar. Mas é claro que só pega praqueles que perdem tempo lendo esse negócio aqui, onde eu provavelmente despejarei todas as minhas frustrações com o velho muno. E as alegrias também, afinal, navegar é preciso meu bem, e isso deve ter um lado bom.

Pra já ficam algumas primeiras e curiosas impressões:
1- É fácil entender o que eles falam, mas não experimente sentar numa mesa com vários portugueses falando ao mesmo tempo. Acreditem, isso me deixou um pouco tonta das primeiras vezes.
2- É por demais complicado escrever como eles. O "facto" é que de "facto" existem muito mais palavras com uma letra c no meio do que eu poderia imaginar. Outro "fenómeno" são os acentos agudos. Eles podem estar nos lugares que você menos espera.
3- Eles sabem muito mais piadas de brasileiro do que nós sabemos de portugueses. Bom, pelo menos eu…
4- Eles não dão beijinhos no rosto de quem acabam de conhecer. A não ser que você seja um grande amigo de um grande amigo eles vão passar uma semana dando tchauzinhos. Os beijinhos são pros íntimos tá?
5- Eles têm bem mais consciência do resto do mundo do que os americanos. Não, eles não acham que a capital do Brasil é Buenos Aires, eles não acham que por Belém ficar na Amazônia eu me locomova de cipó, e eles não achavam que o meu bichinho de estimação era um jacaré. Eles só achavam que eu tinha alguns índios como vizinhos, mas até que isso não é um absurdo muito grande.

Tuesday, June 27, 2006

Só no choro...

Na Dinarmarca faz frio, é um país minúsculo onde não tem samba, nem churrasco. Não tem pizza de jambu nem carimbó. Mas quer 20 bons motivos pra morar lá?!
1. Artic Monkeys
2. Bullet for my Valentine
3. Burst
4. Clap your hands and say yeah
5. Death Cab for cutie
6. Deftones
7. Disco Ensemble
8. Bob Dylan
9. Franz Ferdinand
10. Front 242
11. George Clinton parliament/ funkadelic
12. Kaiser chiefs
13. Lagwagon
14. Morrissey
15. Placebo
16. The raconteurs
17. Scissor sisters
18. The strokes
19. Tool
E o maior de todos...
20. Roger Water performing The dark side of the moon.

E o melhor de tudo: toda essa parada reunida em 3 dias de festival, pela pequena bagatela de 180 euros. Com direito a área de camping e tudo mais. Ai como é triste perder isso.
E pra quem quiser se lamentar também: www.roskilde-festival.dk/index.php?code=1

Monday, February 27, 2006

Domingo Azul.

Hoje é domingo certo?! Certo.
Todas as pessoas fazem coisas de domingo num domingo certo? Errado
Eu TRABALHO. Simmmmm eu trabalho.
Isso é triste certo? Eu chego em casa cansada estressada, de tanto trabalhar certo? Erradíssimo.
Eu chego em casa entediada. Eu passo a tarde toda sem fazer nada! Trancada numa redação azul, esperando que caia algum meteoro em Belém pra simplesmente ligar para o repórter e dizer: caiu um meteoro em Belém. E “tudo” isso pra no dia seguinte a editora do programa ainda dizer. “Ah não.... não rende muito isso aqui sabe? Vou fazer só uma nota coberta...”
Então eu me pergunto: Mas pra que diabos eu tenho que trabalhar domingo a tarde?!?!

****Aqui começa o post de Hoje, o parágrafo acima foi a apenas um leve desabafo...***
Enfim...
Estava perdida na sala azul da redação, desolada, desconsolada
Com frio, com fome, com muito sono.
Sem saco, sem cigarros, sem comida, sem paciência.
Quando de repente.
Tchan tchan tchan
Nada aconteceu a tarde toda! Dá pra acreditar? Não sei porque insisti em tentar...