o penúltimo post do update or die me fez pensar sobre umas coisas esquisitas...
Eu tenho um vício terrível que é comprar o jornal todos os dias e nunca ler até o fim. Pra já eu acho que os cadernos de jornal deviam ser vendidos separados. Do gênero: "oh a menina vai levar só o Nacional? Olhe leve também o caderno Mundo que hoje o Putin anunciou que vai virar budista!". Enfim, era muito mais prático. Na verdade o problema é que eu não consigo pular notícias, nem que seja uma sobre mais um acordo de paz na faixa de Gaza. E outro problema é que eu não jogo fora nada que eu não tenha lido. O que resulta num gigante amontoado de pedaços velhos de jornal em casa, do qual grande parte geralmente é composta pelo P2 (o 2º caderno do Público, que é só o que eu mais gosto, mas como ele fica encadernado da metade pro fim, bem, eu raramente chego nele a tempo) e que fica na revisteira do banheiro.
O que eu ia falar de importante na verdade é que hoje eu li o P2 do dia 8 de agosto, e me deparei com uma excelente matéria sobre o Rui Belo, poeta português que morreu há 30 anos e pelos vistos ninguém por aqui deu muita bola pra ele durante um bom tempo. Além do aniversário de morte e do lançamento da antologia dele num volume único, o gancho da matéria era a revelação de trechos de dez cartas inéditas. O que me chamou bastante atenção porque a martéria já era enorme, e ainda por cima cartas inéditas que geram livros não são publicadas, mas o Publico nos fez esse favor.
Eis que lá pelo meio do texto o jornalista enumera mais de 30 destinatários das cartas do senhor esquecido, inclusive algumas pra editoras. E aí que entre os trechos apresentados vinha um assim:
"A intensidade com que, desde pequeno, tenho vivido cada minuto da minha vida, o alheamento - pelo menos aparente - com que observo o dia-a-dia têm-me tornado isto que sou: um falhado, um falso ídolo, que no íntimo sabe - e só ele sabe - em que medida são de barro os seus pés." (para "a minha senhora e minha amiga", incompleta).
E aí eu me pergunto, quantas cartas eu escrevi na minha vida? Eu não sou poeta e nunca tive a pretensao de ser, mas só uma pessoa, com muita falta de sensibilidade pode achar que não pode haver poesia numa carta. E sabe por quê? Porque eu só escrevo emails. Assim como, provavelmente, todos os escritores a minha geração.
O que os jornalistas vão lançar no aniversario de morte dos escritores contemporâneos? Posts em Blogs? Emails? Sms's?
Imaginem uma sms do supracitado:
Ctgo aprendi koisas tão simpls cm a forma d convívio c meu kblo ralo
e a divrsa cor q há nos olhos das pssoas
Só tu m acompanhasts súbitos momnts
qd td ruía ao meu redor
e m sentia só e no kbo do mundo
Ctgo fui cruel no dia a dia
+ q mulhr tu és já a minha únik viúva
n posso dar t + do t dou
este molhado olhar d homem q morre
e c comov ao vr t asim prsnt tão subitamnt
Não ficava muito bem. Eu acho.
Thursday, October 23, 2008
Rui Belo e SMS's
Wednesday, October 22, 2008
Outono, cadê você meu bem?
Esqueceram-se do outono este ano - os velhos loucos lá de cima.
Pularam aqueles dias em que a gente sai de casa com uma porção de roupas e vai tirando ao longo da manhã - e repondo tudo depois das seis da tarde.
Pularam direto pros dias que que a gente se arrepende de ter saído de casa. Ou de não ter saído enrolada num edredon de penas de ganso.
Esqueceram-se completamente do outono.
Pularam aqueles dias em que a gente sai de casa com uma porção de roupas e vai tirando ao longo da manhã - e repondo tudo depois das seis da tarde.
Pularam direto pros dias que que a gente se arrepende de ter saído de casa. Ou de não ter saído enrolada num edredon de penas de ganso.
Esqueceram-se completamente do outono.
Monday, October 13, 2008
When I don't know what to say...
Eu acho que devíamos todos adotar certas atitudes infantis...
would be much easier...
would be much easier...
Concorrência
Anteontem teve jogo da selecção de Portugal contra a Suécia. Altas emoções,vamosàcopanãovamosàcopa e coisa e tal.
Telões em espaços públicos, cafés lotados, silêncio brutal durante 90 minutos (silêncio mesmo. já que, pelo visto, nem sombra de gol). E eu lá, cortando o cabelo, e fazendo a unha, e indo no supermercado e num maravilhoso cartório sem filas. Nem uma tv, nem um radinho, nada. Só o silêncio na rua dava indícios de uma muito distante vitória.
Não, eu não assisto jogos da selecção, nem de nenhum outro time. Eu basicamente não assisto jogos de futebol. E é engraçado porque durante 2 curtíssimos anos da minha estendida adolescência eu fui ao saudoso "Mangueirão" assistir os jogos do Paysandu na sua mais gloriosa fase, e "no campo" era tudo beeem mais divertido. E mesmo assim, se eu me lembro do resultado de dois jogos é muito. E lembro, vagamente, também de ter assistido um ou outro jogo da seleção do Brasil, mas só lembro da copa de 94 e da de 98. Uma vez até perguntei pro namorado se o Brasil já tinha passado do penta...
Não qu eu seja uma grandissíssima estúpida com relação à paixão nacional (ao que parece, tanto Brasileira quanto Portuguesa). Eu até sei o nome de um ou outro jogador, dos treinadores e até consigo entender algumas regras. Na minha família, como qualquer uma que se preze, sempre tive exemplos de fanatismo absurdo por grupos de 11 pernudos homens correndo atrás da bola. Depois de muito reflectir sobre o meu desprezo inexplicavel para com o futebol cheguei à seguinte conclusão: a culpa é da concorrência. O futebol tem sempre grandes concorrentes.
Eu explico. Quando eu era criança toda vez que tinha jogo do Brasil não tinha aula, ballet, natação, ou a mamãe e o papai chegavam cedo em casa. Quando eu cresci e comecei a trabalhar toda vez que tinha jogo do Brasil fazíamos turnos de trabalho pra maior parte do pessoal poder ir assistir o jogo. Ou seja, a minha atenção, que deveria ser focada no ato de torcer ou prestar minimamente atenção no jogo, é sempre desviada para o fato de eu poder dormir até mais tarde, ou ter a família toda reunida em casa, ou pôr o papo em dia com os amigos.
Sem falar que a mamãe sempre comprava roupa nova "da copa" e no dia do jogo sempre tinha pipoca e tira-gostos e muita coca-cola. Quando eu ia pro campo com meu tio ver o Paysandu, nunca sabia ao certo qual era a arquibancada A ou B, nem pra que lado ficava a Terror Bicolor, mas nunca me perdia à procura da tia do churrasquinho de gato e sua farofa chôcha com um vinagrete salpicado de suor. Quando eu cresci, ao tira gosto foi acrescentada a cerveja (nem é preciso mais detalhes).
Aqui em Portugal toda vez que tem jogo da selecção as filas do supermercado ficam bem menores, nunca tem ninguém no cabeleireiro e quando portugal ganha as pessoas ficam muito mais bem humoradas.
Resumindo: na minha vida o futebol sempre competiu com sono a mais, comida, cerveja e bom humor. É bem compreensível que ele, na maior parte das vezes, perca a briga.
Telões em espaços públicos, cafés lotados, silêncio brutal durante 90 minutos (silêncio mesmo. já que, pelo visto, nem sombra de gol). E eu lá, cortando o cabelo, e fazendo a unha, e indo no supermercado e num maravilhoso cartório sem filas. Nem uma tv, nem um radinho, nada. Só o silêncio na rua dava indícios de uma muito distante vitória.Não, eu não assisto jogos da selecção, nem de nenhum outro time. Eu basicamente não assisto jogos de futebol. E é engraçado porque durante 2 curtíssimos anos da minha estendida adolescência eu fui ao saudoso "Mangueirão" assistir os jogos do Paysandu na sua mais gloriosa fase, e "no campo" era tudo beeem mais divertido. E mesmo assim, se eu me lembro do resultado de dois jogos é muito. E lembro, vagamente, também de ter assistido um ou outro jogo da seleção do Brasil, mas só lembro da copa de 94 e da de 98. Uma vez até perguntei pro namorado se o Brasil já tinha passado do penta...
Não qu eu seja uma grandissíssima estúpida com relação à paixão nacional (ao que parece, tanto Brasileira quanto Portuguesa). Eu até sei o nome de um ou outro jogador, dos treinadores e até consigo entender algumas regras. Na minha família, como qualquer uma que se preze, sempre tive exemplos de fanatismo absurdo por grupos de 11 pernudos homens correndo atrás da bola. Depois de muito reflectir sobre o meu desprezo inexplicavel para com o futebol cheguei à seguinte conclusão: a culpa é da concorrência. O futebol tem sempre grandes concorrentes.
Eu explico. Quando eu era criança toda vez que tinha jogo do Brasil não tinha aula, ballet, natação, ou a mamãe e o papai chegavam cedo em casa. Quando eu cresci e comecei a trabalhar toda vez que tinha jogo do Brasil fazíamos turnos de trabalho pra maior parte do pessoal poder ir assistir o jogo. Ou seja, a minha atenção, que deveria ser focada no ato de torcer ou prestar minimamente atenção no jogo, é sempre desviada para o fato de eu poder dormir até mais tarde, ou ter a família toda reunida em casa, ou pôr o papo em dia com os amigos.
Sem falar que a mamãe sempre comprava roupa nova "da copa" e no dia do jogo sempre tinha pipoca e tira-gostos e muita coca-cola. Quando eu ia pro campo com meu tio ver o Paysandu, nunca sabia ao certo qual era a arquibancada A ou B, nem pra que lado ficava a Terror Bicolor, mas nunca me perdia à procura da tia do churrasquinho de gato e sua farofa chôcha com um vinagrete salpicado de suor. Quando eu cresci, ao tira gosto foi acrescentada a cerveja (nem é preciso mais detalhes).
Aqui em Portugal toda vez que tem jogo da selecção as filas do supermercado ficam bem menores, nunca tem ninguém no cabeleireiro e quando portugal ganha as pessoas ficam muito mais bem humoradas.
Resumindo: na minha vida o futebol sempre competiu com sono a mais, comida, cerveja e bom humor. É bem compreensível que ele, na maior parte das vezes, perca a briga.
Sunday, October 12, 2008
I've seen this movie before
Voltando, postando, falando.
Diz que é uma espécie de blog ressucitado...
Diz que é uma espécie de blog ressucitado...
Thursday, May 10, 2007
Brain Damage
Incrível como a falta de trabalho cerebral para fins produtivos faz uma pessoa passar de inútil a absoluta-e-completamente-inutil.
Nos últimos três meses o normal na minha vida tem sido basicamente dormir às 6h e acordar às 14h pra pegar as aulas da tarde na quase inútil Faculdade de Letras de Coimbra. À noite CSI, House e Prison Break seguidos de alguns ou muito finos e o início da manhã voltando pra casa de alguma saída com os amigos ou simplesmente pondo em dia o papo de uma vida inteira com a Anna, minha companheira de curso, vida e quarto.
Eu não poso me gabar de ter tido no último ano algo que se possa chamar de uma vida muito produtiva (qualquer tipo de rotina que envolva acordar cedo ou dormir menos de 10 horas por dia) mas pelo menos eu antes mantinha uma quantidade mínima de atividades que eu exercia com uma certa frequência e que conferiam à minha inútil vida um certo ar de rotina:
- Assistir a filmes que todo mundo já viu, menos eu, ou filmes que todo mundo já viu e que eu não vi mas acho que vi, ou filmes que ninguém nunca viu e que não valem a pena ser vistos mas eu vejo mesmo assim. Para a minha recente vida de cinéfila (observem, nos meus poucos vinte e um anos incompletos meu senso crítico cinematográfico só veio aprimorar-se nos últimos 2 anos. Antes disso eu engolia desde David Lynch até Legaly Blond 1 e 2) o hábito de alugar pelo menos uns 5 filmes por fim de semana me ajudava a tirar o atraso do que eu não tive dinheiro pra ver no cinema. No entanto, como é óbvio, dormir sempre às 6 da manhã e acordar à 5 da tarde me faz lembrar de ir à locadora quando o rapaz do balcão já está no seu último sono em sua quente caminha. Situação atual: um filme por semana, na SIC (algo de parecido com a Rede Globo).
- Cerca de uma hora diária fuçando blogs, youtube, email e outras porcarias na Internet. Isso pode não parecer muito produtivo, mas olha que é daí que saem meus grandes momentos de inspiração. Quais? Não sei, mas se antes já não saíam muitos, agora menos ainda. Vide a graaande frequência da atualização deste blog. Sem falar nos assuntos absurdamente relevantes que nos ocorrem em mesas de bar.Com menos 60 minutos diários de pesquisa em cultura inútil a minha missão na terra, de entreter as pessoas com besteira, fica altamente prejudicada. Situação atual: só tenho visto videozinhos no youtube, e mesmo assim quando buscados pela já citada Anna.
- Pelo menos uns 30 minutinhos diários para conferir o que anda acontecendo no Brasil. Não tô falando de fofoca no msn, tô falando de notícias mesmo. Considerando que a minha paciência pra ler jornais online nunca foi muito grande, a minha inatividade mental tem contribuído menos ainda pra frequência desse hábito. Eu sempre preferi a versão impressa, que deixa a mão da gente bem sujinha, mas em compensação não tem pop ups do mercado livre pulando na minha cara e nem aqueles banners chechelentos que não deixam eu me concentrar. Mas, já que aqui do outro lado é mais difícil passar a mão na Folha de São Paulo numa banca de revistas, o jeito era me render ao mundo online. Mas, ultimamente nem isso. Situação atual: Eu só soube da morte do Enéas uma semana depois, quando as piadas já não tinham mais graça. Sem falar na tenebrosa da vitória daquela coisa azul, no Parazão.
Aí estão, três sinais de uma boêmia e inútil vida. Ah, mas isso muda um dia, juro que muda… Próximo semestre…
Nos últimos três meses o normal na minha vida tem sido basicamente dormir às 6h e acordar às 14h pra pegar as aulas da tarde na quase inútil Faculdade de Letras de Coimbra. À noite CSI, House e Prison Break seguidos de alguns ou muito finos e o início da manhã voltando pra casa de alguma saída com os amigos ou simplesmente pondo em dia o papo de uma vida inteira com a Anna, minha companheira de curso, vida e quarto.
Eu não poso me gabar de ter tido no último ano algo que se possa chamar de uma vida muito produtiva (qualquer tipo de rotina que envolva acordar cedo ou dormir menos de 10 horas por dia) mas pelo menos eu antes mantinha uma quantidade mínima de atividades que eu exercia com uma certa frequência e que conferiam à minha inútil vida um certo ar de rotina:
- Assistir a filmes que todo mundo já viu, menos eu, ou filmes que todo mundo já viu e que eu não vi mas acho que vi, ou filmes que ninguém nunca viu e que não valem a pena ser vistos mas eu vejo mesmo assim. Para a minha recente vida de cinéfila (observem, nos meus poucos vinte e um anos incompletos meu senso crítico cinematográfico só veio aprimorar-se nos últimos 2 anos. Antes disso eu engolia desde David Lynch até Legaly Blond 1 e 2) o hábito de alugar pelo menos uns 5 filmes por fim de semana me ajudava a tirar o atraso do que eu não tive dinheiro pra ver no cinema. No entanto, como é óbvio, dormir sempre às 6 da manhã e acordar à 5 da tarde me faz lembrar de ir à locadora quando o rapaz do balcão já está no seu último sono em sua quente caminha. Situação atual: um filme por semana, na SIC (algo de parecido com a Rede Globo).
- Cerca de uma hora diária fuçando blogs, youtube, email e outras porcarias na Internet. Isso pode não parecer muito produtivo, mas olha que é daí que saem meus grandes momentos de inspiração. Quais? Não sei, mas se antes já não saíam muitos, agora menos ainda. Vide a graaande frequência da atualização deste blog. Sem falar nos assuntos absurdamente relevantes que nos ocorrem em mesas de bar.Com menos 60 minutos diários de pesquisa em cultura inútil a minha missão na terra, de entreter as pessoas com besteira, fica altamente prejudicada. Situação atual: só tenho visto videozinhos no youtube, e mesmo assim quando buscados pela já citada Anna.
- Pelo menos uns 30 minutinhos diários para conferir o que anda acontecendo no Brasil. Não tô falando de fofoca no msn, tô falando de notícias mesmo. Considerando que a minha paciência pra ler jornais online nunca foi muito grande, a minha inatividade mental tem contribuído menos ainda pra frequência desse hábito. Eu sempre preferi a versão impressa, que deixa a mão da gente bem sujinha, mas em compensação não tem pop ups do mercado livre pulando na minha cara e nem aqueles banners chechelentos que não deixam eu me concentrar. Mas, já que aqui do outro lado é mais difícil passar a mão na Folha de São Paulo numa banca de revistas, o jeito era me render ao mundo online. Mas, ultimamente nem isso. Situação atual: Eu só soube da morte do Enéas uma semana depois, quando as piadas já não tinham mais graça. Sem falar na tenebrosa da vitória daquela coisa azul, no Parazão.
Aí estão, três sinais de uma boêmia e inútil vida. Ah, mas isso muda um dia, juro que muda… Próximo semestre…
Thursday, April 12, 2007
Devaneios
É tão legal brincar de casinha. Toda vez que eu vou ao supermercado fico doida pra que a casa fique suja pra eu poder limpá-la com meus novos produtos de limpeza ! *
Bem, mas eu descobri um bom aspecto de ter que cuidar sozinha da casa: gasto todos os meus impulsos consumistas no supermercado, e assim sobra mais dinheiro pras farras, pro cinema, enfim…
O lado ruim de morar sozinha, além de jantar sempre em frente à tv e perder a conta de quanto comi ou babar toda a minha blusa, é que eu peguei a terrível mania de falar sozinha. Eu já tenho um lado meio esquizofrênico, um comportamento um tanto quanto expansivo, e agora ainda por cima falo com as paredes! Isso é péssimo. A réplica: ok já que eu moro sozinha isso não é um problema, considerando que ninguém além de EU mesma sabe disso. Hã-Hã. Errado. A tréplica: eu agora dei pra falar sozinha na rua também. Isso mesmo, juro.
Pra me fazer companhia nas tradicionais idas ao supermercado, à estação, ao shoppping, ou a qualquer lugar eu levo meu fiel escudeiro Ipod, e com ele no volume máximo esqueço que tô no meio da rua e de vez em quando solto uns diálogos comigo mesma.
E depois ainda me pergunto: porque é tão difícil fazer amigos numa cidade desconhecida?
Dã. Explicado.
*Isso faz parte de um surto pós-adolescente-pré-independente, decorrente da falta de Cleide. (A Cleide era a empregada lá de casa. )
Bem, mas eu descobri um bom aspecto de ter que cuidar sozinha da casa: gasto todos os meus impulsos consumistas no supermercado, e assim sobra mais dinheiro pras farras, pro cinema, enfim…
O lado ruim de morar sozinha, além de jantar sempre em frente à tv e perder a conta de quanto comi ou babar toda a minha blusa, é que eu peguei a terrível mania de falar sozinha. Eu já tenho um lado meio esquizofrênico, um comportamento um tanto quanto expansivo, e agora ainda por cima falo com as paredes! Isso é péssimo. A réplica: ok já que eu moro sozinha isso não é um problema, considerando que ninguém além de EU mesma sabe disso. Hã-Hã. Errado. A tréplica: eu agora dei pra falar sozinha na rua também. Isso mesmo, juro.
Pra me fazer companhia nas tradicionais idas ao supermercado, à estação, ao shoppping, ou a qualquer lugar eu levo meu fiel escudeiro Ipod, e com ele no volume máximo esqueço que tô no meio da rua e de vez em quando solto uns diálogos comigo mesma.
E depois ainda me pergunto: porque é tão difícil fazer amigos numa cidade desconhecida?
Dã. Explicado.
*Isso faz parte de um surto pós-adolescente-pré-independente, decorrente da falta de Cleide. (A Cleide era a empregada lá de casa. )
Tuesday, April 10, 2007
Bem, vamos ver até quando vai durar o meu retorno ao mundo dos blogs.
Duvido um pouco que vingue, mas enfim, é por uma boa causa, afinal de contas, em pouco tempo devo me cansar de conversar com as paredes de casa, que, por sinal, não são muitas.
Tá, só pra atualizar: esta que vos escreve com sotaque de português (claro que não dá pra perceber ainda, mas estou praticando) há pouco deixou as terras tupiniquins para aventurar-se nos estudos da comunicação social nas terras de além mar. Agora além de vocês meus caros, até os portugueses vão ter que me aguentar. Mas é claro que só pega praqueles que perdem tempo lendo esse negócio aqui, onde eu provavelmente despejarei todas as minhas frustrações com o velho muno. E as alegrias também, afinal, navegar é preciso meu bem, e isso deve ter um lado bom.
Pra já ficam algumas primeiras e curiosas impressões:
1- É fácil entender o que eles falam, mas não experimente sentar numa mesa com vários portugueses falando ao mesmo tempo. Acreditem, isso me deixou um pouco tonta das primeiras vezes.
2- É por demais complicado escrever como eles. O "facto" é que de "facto" existem muito mais palavras com uma letra c no meio do que eu poderia imaginar. Outro "fenómeno" são os acentos agudos. Eles podem estar nos lugares que você menos espera.
3- Eles sabem muito mais piadas de brasileiro do que nós sabemos de portugueses. Bom, pelo menos eu…
4- Eles não dão beijinhos no rosto de quem acabam de conhecer. A não ser que você seja um grande amigo de um grande amigo eles vão passar uma semana dando tchauzinhos. Os beijinhos são pros íntimos tá?
5- Eles têm bem mais consciência do resto do mundo do que os americanos. Não, eles não acham que a capital do Brasil é Buenos Aires, eles não acham que por Belém ficar na Amazônia eu me locomova de cipó, e eles não achavam que o meu bichinho de estimação era um jacaré. Eles só achavam que eu tinha alguns índios como vizinhos, mas até que isso não é um absurdo muito grande.
Duvido um pouco que vingue, mas enfim, é por uma boa causa, afinal de contas, em pouco tempo devo me cansar de conversar com as paredes de casa, que, por sinal, não são muitas.
Tá, só pra atualizar: esta que vos escreve com sotaque de português (claro que não dá pra perceber ainda, mas estou praticando) há pouco deixou as terras tupiniquins para aventurar-se nos estudos da comunicação social nas terras de além mar. Agora além de vocês meus caros, até os portugueses vão ter que me aguentar. Mas é claro que só pega praqueles que perdem tempo lendo esse negócio aqui, onde eu provavelmente despejarei todas as minhas frustrações com o velho muno. E as alegrias também, afinal, navegar é preciso meu bem, e isso deve ter um lado bom.
Pra já ficam algumas primeiras e curiosas impressões:
1- É fácil entender o que eles falam, mas não experimente sentar numa mesa com vários portugueses falando ao mesmo tempo. Acreditem, isso me deixou um pouco tonta das primeiras vezes.
2- É por demais complicado escrever como eles. O "facto" é que de "facto" existem muito mais palavras com uma letra c no meio do que eu poderia imaginar. Outro "fenómeno" são os acentos agudos. Eles podem estar nos lugares que você menos espera.
3- Eles sabem muito mais piadas de brasileiro do que nós sabemos de portugueses. Bom, pelo menos eu…
4- Eles não dão beijinhos no rosto de quem acabam de conhecer. A não ser que você seja um grande amigo de um grande amigo eles vão passar uma semana dando tchauzinhos. Os beijinhos são pros íntimos tá?
5- Eles têm bem mais consciência do resto do mundo do que os americanos. Não, eles não acham que a capital do Brasil é Buenos Aires, eles não acham que por Belém ficar na Amazônia eu me locomova de cipó, e eles não achavam que o meu bichinho de estimação era um jacaré. Eles só achavam que eu tinha alguns índios como vizinhos, mas até que isso não é um absurdo muito grande.
Marcadores:
oh céus oh vida,
vive-se bem em Portugal
Tuesday, June 27, 2006
Só no choro...
Na Dinarmarca faz frio, é um país minúsculo onde não tem samba, nem churrasco. Não tem pizza de jambu nem carimbó. Mas quer 20 bons motivos pra morar lá?!
1. Artic Monkeys
2. Bullet for my Valentine
3. Burst
4. Clap your hands and say yeah
5. Death Cab for cutie
6. Deftones
7. Disco Ensemble
8. Bob Dylan
9. Franz Ferdinand
10. Front 242
11. George Clinton parliament/ funkadelic
12. Kaiser chiefs
13. Lagwagon
14. Morrissey
15. Placebo
16. The raconteurs
17. Scissor sisters
18. The strokes
19. Tool
E o maior de todos...
20. Roger Water performing The dark side of the moon.
E o melhor de tudo: toda essa parada reunida em 3 dias de festival, pela pequena bagatela de 180 euros. Com direito a área de camping e tudo mais. Ai como é triste perder isso.
E pra quem quiser se lamentar também: www.roskilde-festival.dk/index.php?code=1
1. Artic Monkeys
2. Bullet for my Valentine
3. Burst
4. Clap your hands and say yeah
5. Death Cab for cutie
6. Deftones
7. Disco Ensemble
8. Bob Dylan
9. Franz Ferdinand
10. Front 242
11. George Clinton parliament/ funkadelic
12. Kaiser chiefs
13. Lagwagon
14. Morrissey
15. Placebo
16. The raconteurs
17. Scissor sisters
18. The strokes
19. Tool
E o maior de todos...
20. Roger Water performing The dark side of the moon.
E o melhor de tudo: toda essa parada reunida em 3 dias de festival, pela pequena bagatela de 180 euros. Com direito a área de camping e tudo mais. Ai como é triste perder isso.
E pra quem quiser se lamentar também: www.roskilde-festival.dk/index.php?code=1
Monday, February 27, 2006
Domingo Azul.
Hoje é domingo certo?! Certo.
Todas as pessoas fazem coisas de domingo num domingo certo? Errado
Eu TRABALHO. Simmmmm eu trabalho.
Isso é triste certo? Eu chego em casa cansada estressada, de tanto trabalhar certo? Erradíssimo.
Eu chego em casa entediada. Eu passo a tarde toda sem fazer nada! Trancada numa redação azul, esperando que caia algum meteoro em Belém pra simplesmente ligar para o repórter e dizer: caiu um meteoro em Belém. E “tudo” isso pra no dia seguinte a editora do programa ainda dizer. “Ah não.... não rende muito isso aqui sabe? Vou fazer só uma nota coberta...”
Então eu me pergunto: Mas pra que diabos eu tenho que trabalhar domingo a tarde?!?!
****Aqui começa o post de Hoje, o parágrafo acima foi a apenas um leve desabafo...***
Enfim...
Estava perdida na sala azul da redação, desolada, desconsolada
Com frio, com fome, com muito sono.
Sem saco, sem cigarros, sem comida, sem paciência.
Quando de repente.
Tchan tchan tchan
Nada aconteceu a tarde toda! Dá pra acreditar? Não sei porque insisti em tentar...
Todas as pessoas fazem coisas de domingo num domingo certo? Errado
Eu TRABALHO. Simmmmm eu trabalho.
Isso é triste certo? Eu chego em casa cansada estressada, de tanto trabalhar certo? Erradíssimo.
Eu chego em casa entediada. Eu passo a tarde toda sem fazer nada! Trancada numa redação azul, esperando que caia algum meteoro em Belém pra simplesmente ligar para o repórter e dizer: caiu um meteoro em Belém. E “tudo” isso pra no dia seguinte a editora do programa ainda dizer. “Ah não.... não rende muito isso aqui sabe? Vou fazer só uma nota coberta...”
Então eu me pergunto: Mas pra que diabos eu tenho que trabalhar domingo a tarde?!?!
****Aqui começa o post de Hoje, o parágrafo acima foi a apenas um leve desabafo...***
Enfim...
Estava perdida na sala azul da redação, desolada, desconsolada
Com frio, com fome, com muito sono.
Sem saco, sem cigarros, sem comida, sem paciência.
Quando de repente.
Tchan tchan tchan
Nada aconteceu a tarde toda! Dá pra acreditar? Não sei porque insisti em tentar...
Thursday, February 09, 2006
Sim, eu sei.
Eu tento
eu juro, tento parecer melhor
a todo momento
as frases são previamente formuladas
sim ela parecem espontâneas
elas não são. eu pareço espontânea?
na verdade sou prepotente
chego cada dia mais a essa conclusão.
e como se fosse fácil, eu me esgueiro pelos campos mais alheios ao meu conhecimento
e todos acreditam
ou fingem
e fingem bem
o saber é um campo intransitavel
por vezes me engano, driblo os outros e facilmente me engano
pra depois retornar ao desconhecido
deu pra entender?desculpem-me o desabafo
ando desiludida com o mundo.
eu juro, tento parecer melhor
a todo momento
as frases são previamente formuladas
sim ela parecem espontâneas
elas não são. eu pareço espontânea?
na verdade sou prepotente
chego cada dia mais a essa conclusão.
e como se fosse fácil, eu me esgueiro pelos campos mais alheios ao meu conhecimento
e todos acreditam
ou fingem
e fingem bem
o saber é um campo intransitavel
por vezes me engano, driblo os outros e facilmente me engano
pra depois retornar ao desconhecido
deu pra entender?desculpem-me o desabafo
ando desiludida com o mundo.
Friday, December 09, 2005
Começar o começo.
Confesso que relutei, bastante eu diria, pra ter este blog.
Um dos empecilhos foi a dificuldade enorme pra encontrar um nome de usuário... Será marinachiari um nome mais comum do que eu pensava? Ou o mundo da tecnologia conspira desde o começo contra a minha diarréia verbal?! Eu só sei que tentei várias vezes até desistir, mas meu querido primo-discípulo-aspirante-a-jornalista-falido-tanto-quanto-eu, Guto Lobato, me salvou e, brigando contra o todo poderoso blogspot, conseguiu por fim me dar este espaço no tão recorrido mundo dos blogs.
Um dos empecilhos foi a dificuldade enorme pra encontrar um nome de usuário... Será marinachiari um nome mais comum do que eu pensava? Ou o mundo da tecnologia conspira desde o começo contra a minha diarréia verbal?! Eu só sei que tentei várias vezes até desistir, mas meu querido primo-discípulo-aspirante-a-jornalista-falido-tanto-quanto-eu, Guto Lobato, me salvou e, brigando contra o todo poderoso blogspot, conseguiu por fim me dar este espaço no tão recorrido mundo dos blogs.
O segundo fator que puxava pra trás na hora de começar a escrever é que, eu definitivamente nunca gosto do que escrevo. Geralmente ponho na gaveta durante anos, refaço trocentas vezes até olhar pra ele de novo e continuar achando indigno até mesmo de leitura complementar pra alunos da 4ª série. Mas agora eu prometo que, além de publicar meus textos pré-históricos, vou escrever tudo que der na telha.
Mas o maior de todos os obstáculos é: como começar o blog?!
Seria preciso descrê-velo, explicar objetivos, metodologia, fontes e hipóteses tal qual num projeto de pesquisa? (Descobri esse semestre que sou boa em projetos de pesquisa... mas só em projetos). Já que é assim então eu começo descrevendo este humilde espaço como uma extensão do meu cérebro. Logo, não vão esperando muito. Eu podia dedicar páginas e páginas a devaneios sobre assuntos da atualidade, de preferência criticando peças de arte, cinema e musica, comentando ironicamente situações políticas ou dando dicas de como avaliar criticamente o papel da mídia na análise e transformação desta sociedade consumista que leva à instauração do caos pelo homem moderno. Mas não. Eu prefiro pensar. E ninguém fica por aí pensando sobre essas coisas. Eu assumo, tenho a cara de pau de admitir que penso em como estou com vontade de comer aquele bolo de macaxeira que a cozinheira da minha avó faz e que lembra tanto a minha infância, confesso que penso em com seria legal viver no mundo do Harry Potter, penso em qual o novo trocadilho com o nome do Garotinho que vai aparecer na próxima edição do Casseta & Planeta e assim por diante. Podia tentar parecer extremamente inteligente, mas como isso eu já faço todos os dias (durante a noite eu tento dominar o mundo), eu vou simplesmente pensar. E se pelo menos uma pessoa chegou até o fim desse texto, então é porque vai valer a pena continuar escrevendo aqui.
Seria preciso descrê-velo, explicar objetivos, metodologia, fontes e hipóteses tal qual num projeto de pesquisa? (Descobri esse semestre que sou boa em projetos de pesquisa... mas só em projetos). Já que é assim então eu começo descrevendo este humilde espaço como uma extensão do meu cérebro. Logo, não vão esperando muito. Eu podia dedicar páginas e páginas a devaneios sobre assuntos da atualidade, de preferência criticando peças de arte, cinema e musica, comentando ironicamente situações políticas ou dando dicas de como avaliar criticamente o papel da mídia na análise e transformação desta sociedade consumista que leva à instauração do caos pelo homem moderno. Mas não. Eu prefiro pensar. E ninguém fica por aí pensando sobre essas coisas. Eu assumo, tenho a cara de pau de admitir que penso em como estou com vontade de comer aquele bolo de macaxeira que a cozinheira da minha avó faz e que lembra tanto a minha infância, confesso que penso em com seria legal viver no mundo do Harry Potter, penso em qual o novo trocadilho com o nome do Garotinho que vai aparecer na próxima edição do Casseta & Planeta e assim por diante. Podia tentar parecer extremamente inteligente, mas como isso eu já faço todos os dias (durante a noite eu tento dominar o mundo), eu vou simplesmente pensar. E se pelo menos uma pessoa chegou até o fim desse texto, então é porque vai valer a pena continuar escrevendo aqui.
Amanhã pensarei mais. Agora eu tenho sono.
Subscribe to:
Posts (Atom)